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13ª Bienal de São Paulo (1975)

Disposta a atualizar-se, a chamada “Bienal dos videomakers” trouxe ao Brasil um preciso recorte da produção mundial de videoarte, em grande ascensão à década. Apresentou artistas renomados, que iam de Andy Warhol ao sul-coreano Nam June Paik, cuja instalação TV Garden (1974) surpreendeu o público brasileiro ao dispor monitores em meio a uma vegetação de palmeiras em vasos e plantas artificiais. Enquanto se anunciava a morte da pintura, a delegação alemã deu-lhe peso, apresentando Sigmar Polke e Georg Baselitz. Os brasileiros Tomie Ohtake, Lothar Charoux, Fayga Ostrower e Ubi Bava participaram da edição. O ano também marcou nova crise institucional, assinalada pelo afastamento de Ciccillo Matarazzo da presidência – ele faleceria antes da abertura da edição seguinte.

“Ressalta, no entanto, a disposição do júri em se manter na área segura dos prêmios por antiguidade – ou seja, daquilo que o tempo, a tradição e o mercado garantiram com o selo do aceite. Só assim se compreende que ao invés de assinalar a verdadeira atualidade da contribuição trazida pelos conjuntos de videoarte dos EUA e do Japão – para não falar da contundente sequência fotográfica de Urs Luthi, nas águas da linguagem do corpo, uma vez que seria pedir demais ao júri que atentasse à sua importância – se tenha preferido privilegiar, com o Grande Prêmio Itamaraty, uma artista como a iugoslava Jagoda Buic, cujo papel renovador na tapeçaria contemporânea ninguém teria coragem de negar, mas hoje apresenta uma obra pronta, concluída no que melhor poderia dar.” – “13a Bienal de São Paulo – Visita à velha senhora”, de Roberto Pontual, publicado no Jornal do Brasil em 22 out. 1975.

Leia o texto na íntegra no catálogo da exposição 30 × Bienal – Transformações na arte brasileira da 1ª à 30ª edição.