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11ª Bienal de São Paulo (1971)

Novamente boicotada pelos artistas, descontentes com os rumos opressores do regime militar, a Bienal foi inaugurada sob polêmicas e sofreu com o exílio de Mário Pedrosa, que estivera à frente da maioria das Bienais em sua primeira década, tendo assinado a direção-geral da sexta e sétima edições. O boicote promovido pelos artistas brasileiros, embora não generalizado, afetou diretamente a potência de inovação do evento, que tratou de destinar salas a retrospectivas já esperadas, como a de Iberê Camargo, Danilo Di Prete, Yolanda Mohalyi e Anatol Wladyslaw. Como se atestasse a falha do sistema de repressão e marcasse um respiro em dois tumultuados anos, o grande prêmio da Bienal foi conferido à obra Los revolucionarios (1968), do espanhol Rafael Conogar, que punha o Estado de exceção em crítica visível.

“Segundo todos os indícios, a Bienal de São Paulo atravessa no momento sua mais grave crise desde a criação, havendo inclusive grandes probabilidades de que não se realize mais. Caso, porém, ainda venha a se realizar em 1971 – hipótese cada vez mais afastada – será uma minibienal, de que estarão ausentes países – como França, Itália, Reino Unido, Países Baixos e Japão – que vêm sendo uma garantia de qualidade desde 1951, quando o Ibirapuera abrigou a 1a Bienal.” – “Bienal de São Paulo: já era?”, de José Roberto Teixeira, publicado n'O Globo em 08 fev. 1971.

Leia o texto na íntegra no catálogo da exposição 30 × Bienal – Transformações na arte brasileira da 1ª à 30ª edição.