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10ª Bienal de São Paulo (1969)

Meses após o lançamento do Ato Institucional n. 5 (AI-5), artistas de diversas nacionalidades recusaram-se a participar da Bienal como forma de protesto contra a ditadura militar. A décima edição recebeu o apelido de “Bienal do Boicote” no momento em que oitenta por cento dos artistas convidados – entre eles, os brasileiros Hélio Oiticica, Rubens Gerchman e Burle Marx – não compareceram e delegações estrangeiras, como a da União Soviética, simplesmente declinaram o convite. Na França, 321 artistas chegam a assinar um manifesto, “Non à la Biennale”, cientes dos atos de censura que culminaram na retirada despropositada de obras de exposições na Bahia, em Belo Horizonte e em Ouro Preto. Mira Schendel apresentou uma de suas obras mais relevantes, a instalação Ondas paradas de probabilidade (1969): um ambiente de fios de náilon suspensos que permitia uma experiência sensorial para o público visitante. Participaram também da exposição Carmela Gross, José Roberto Aguilar e Ione Saldanha.

“É inegável que desde a 1ª Bienal os artistas do Brasil nela encontraram a única plataforma para a atividade das artes visuais – ou plásticas como naquela altura ainda estreitamente se denominavam. Se há nisso um erro original, pouco importa agora até porque ele determinou aspectos hoje irreversíveis na mostra. Talvez o antibiótico tenha alimentado o micróbio e o transformou num monstro. Hoje, a Sala do Brasil é uma Bienal dentro da Bienal. Nacional dentro da internacional. E há razões fortes nas duas, que as obrigam até a viverem paralelamente.” – “A Bienal quando nasce é para todos”, de Fernando Lemos, publicado n'O Estado de S. Paulo em 22 fev. 1969.

Leia o texto na íntegra no catálogo da exposição 30 × Bienal – Transformações na arte brasileira da 1ª à 30ª edição.