share on facebook
9ª Bienal de São Paulo (1967)

A Bienal da arte pop foi inaugurada sob uma polêmica já prevista: o governo militar, regido então pelo marechal Costa e Silva, retirou duas obras que “feriam” as autoridades e a constituição brasileira: uma pintura da brasileira Cybele Varela considerada antinacionalista e a série Meditação sobre a Bandeira Nacional, de Quissak Jr., que utilizava o símbolo para fins não patrióticos. A delegação estadunidense, grande destaque do evento, foi a responsável por apresentar o preciso recorte de arte pop que trouxe ao evento obras de Andy Warhol, Roy Lichtenstein, Robert Rauschenberg e a premiada Three Flags, de Jasper Johns. Também imersos na linguagem pop, que requeria uma aproximação mais estreita com o espectador, estavam os brasileiros Marcello Nitsche e os fundadores/participantes do Grupo Rex: Wesley Duke Lee, Nelson Leirner, Geraldo de Barros, Carlos Fajardo, José Resende, Carlos Vergara, Carlos Zilio, Claudio Tozzi, Sérgio Sister, Luiz Paulo Baravelli, Rubens Gerchman e Antonio Manuel. Uma retrospectiva dedicada ao pintor Edward Hopper, falecido no mesmo ano, foi ponto alto da mostra.

“Os desbravadores são os jovens de espírito, sem compromissos com o passado. Naturalmente os moços têm mais facilidade para romper com as concepções, os valores e os sentimentos do passado que os mais idosos. Daí a predominância que adquirem necessariamente nos períodos verdadeiramente revolucionários. O momento atual da arte brasileira se caracteriza por uma irrupção maciça de artistas jovens que encontram os novos caminhos. Eles são favorecidos pela sua ‘inexperiência’, pela sua ‘ignorância’ das habilidades artesanais e pela ‘falta de preparo’, que tanto afligem aos incapazes de compreender que o novo é essencialmente irredutível ao velho.” – “A representação brasileira na 9a Bienal de São Paulo”, de Mario Schenberg, publicado no Correio da Manhã em 17 set. 1967.

Leia o texto na íntegra no catálogo da exposição 30 × Bienal – Transformações na arte brasileira da 1ª à 30ª edição.