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8ª Bienal de São Paulo (1965)

Início da ditadura militar no Brasil: a oitava edição da Bienal abre suas portas já sob o regime do presidente Castelo Branco, pós-golpe de 1964. Apesar de estrategicamente “protegida” pelo governo, interessado na aproximação da entidade com os outros países e o apoio efetivo destes para que o evento acontecesse, a Bienal era um espaço privilegiado em que os intelectuais reivindicavam direitos e pensavam o futuro. Tal ambiguidade fez com que os premiados brasileiros Sérgio Camargo e Maria Bonomi entregassem ao presidente uma moção a favor da libertação de quatro intelectuais durante a cerimônia de abertura da exposição, causando constrangimento. A despeito das complicações políticas, consagrou-se a apresentação de uma grande sala hours-concours, dedicada ao surrealismo e à arte fantástica. Marcel Duchamp, com seu ready-made famoso Roue de bicyclette (1913), era visto ao lado de Max Ernst, Marc Chagall, Joan Miró, Jean Arp, Man Ray, Paul Klee, Paul Delvaux, René Magritte e Francis Picabia.

“O que estamos assistindo é à mútua interferência crescente das artes, é um comércio vertiginoso em que as permutas técnicas e expressivas se realizam livremente, confundindo as antigas distinções classificatórias. Desfazendo-se os limites entre pintura e escultura, forçou-se o caminho para uma arte que se quer impor enquanto universalidade de meios, pela pluralidade de vivência, pelo aproveitamento comum de experiências até há pouco quase sempre fechadas numa espécie de autonomia escolástica.” – “A escultura, relevos e objetos da 8a Bienal”, de Walter Zanini, publicado n’O Estado de S. Paulo em 02 out. 1965.

Leia o texto na íntegra no catálogo da exposição 30 × Bienal – Transformações na arte brasileira da 1ª à 30ª edição.