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4ª Bienal de São Paulo (1957)

A exposição de Ciccillo Matarazzo passou a ser contestada pelos artistas brasileiros logo no primeiro ano em que fixou sede no Pavilhão das Indústrias do Parque do Ibirapuera, um prédio de 25 mil m² projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, que posteriormente receberia o nome de Pavilhão Ciccillo Matarazzo. Polêmicas marcaram a quarta edição do evento, quando nomes consagrados no cenário artístico nacional, como Flávio de Carvalho, tiveram seus trabalhos recusados pelo júri. Apesar disso, a representação brasileira na exposição apresenta quase o dobro de obras em relação à edição anterior, 3800 obras de 599 artistas, com destaque para a representação norte-americana, que destinou uma sala inteira ao pintor expressionista abstrato Jackson Pollock, em pleno auge de sua trajetória. A produção surrealista verificada em obras dos mestres René Magritte, Marc Chagall e Paul Delvaux também marcaram a edição. Frans Krajcberg recebeu o prêmio de Pintura, Franz Weissmann o de Escultura e Fayga Ostrower o de Gravura. A Bienal também teve forte participação dos brasileiros Aluísio Carvão, Hermelindo Fiaminghi, Willys de Castro, Lygia Pape, Hélio Oiticica, Hércules Barsotti, Sérgio Camargo, Almir Mavignier, Ivan Serpa, Milton Dacosta e Maria Leontina.

“Cumpriu a Bienal sua primeira promessa. O contato com a arte de todo o mundo dura já seis anos e de forma alguma poderia ser mais extenso e mais intenso. São Paulo tornou-se, de pleno direito, um centro artístico internacional, como poucos, no mundo inteiro, a suscitar a convergência, sem poupança de meios e de esforços, dos países que dispõem de eficiente organização cultural. Assim, não foi difícil compreender o sentido da experiência que provou bem perceber que a própria Bienal, no futuro, poderá fazer ainda mais e melhor” – “Diálogo da véspera”, de Lourival Gomes Machado, publicado n’O Estado de S. Paulo em 21 set. 1957.

Leia o texto na íntegra no catálogo da exposição 30 × Bienal – Transformações na arte brasileira da 1ª à 30ª edição.