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2ª Bienal de São Paulo (1953)

A mais lembrada entre todas as Bienais, essa edição é conhecida como “Bienal da Guernica”, em alusão à mais famosa obra de Pablo Picasso, datada de 1937 e considerada o grande destaque do evento. Com quase o dobro de obras em relação à edição anterior, a 2ª Bienal foi realizada já no Parque do Ibirapuera, aproveitando sua inauguração e ocupando dois pavilhões projetados por Oscar Niemeyer (1907-2012): o Palácio dos Estados (atual Pavilhão das Culturas Brasileiras) e o Palácio das Nações (atual Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega, onde está situado o Museu Afro Brasil). A exposição foi um marco histórico mundial pela espantosa seleção de artistas estrangeiros, a qual incluía o fundador da escola alemã Bauhaus, Walter Gropius, o suíço Paul Klee, o holandês Piet Mondrian, o norte-americano Alexander Calder e o austríaco Oscar Kokoschka, além de uma sala inteiramente dedicada a 69 obras do ícone expressionista Edvard Munch. A representação francesa no evento proporcionou ao público brasileiro o contato com obras dos protagonistas do cubismo, Pablo Picasso e Georges Braque, além de Robert Delaunay e Marcel Duchamp. A delegação italiana, por sua vez, destacou-se pela seleção de seus principais artistas futuristas, entre eles, Giorgio Morandi e Umberto Boccioni. Alfredo Volpi recebeu o prêmio de Pintura e Lívio Abramo o de Gravura. Antônio Bandeira, por sua vez, assinou o cartaz da edição.

“O abstracionismo é muito importante como tentativa de pesquisa para encontrar a forma própria a cada país de exprimir nossa civilização mecânica. Eis sua relação com a civilização atual, de modo geral... Mas também pode representar a tentativa de fugir a todas as formas de sentimento... Não se esqueça que estamos vivendo num período de transição. Portanto ninguém deve ser dogmático no que se refere a estas tendências. Ficam misturadas com problemas sociais, políticos, com todos os problemas do nosso tempo. O que se deve fazer é esperar e encorajar a atitude experimental nos artistas para que se chegue a encontrar uma solução.” – “Sir Herbert Read fala da participação brasileira na Bienal e do abstracionismo em geral”, de Ivonne Jean, publicado na Folha da Manhã em 24 dez. 1953.

Leia o texto na íntegra no catálogo da exposição 30 × Bienal – Transformações na arte brasileira da 1ª à 30ª edição.