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O Arquivo Bienal

Os Arquivos Históricos de Arte Contemporânea foram criados entre as 2ª e 3ª Bienais, no início de 1955. Concebidos por Wanda Svevo, então secretária-geral da Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), respondiam à necessidade de um centro de referência em arte contemporânea no país. Composta de materiais reunidos durante a organização das Bienais ou enviados por artistas de diversos países ao fim de cada evento, a documentação atuava como fonte de informação para as pesquisas.

Em 1962, com a criação da Fundação Bienal de São Paulo – separam-se Museu de Arte Moderna e a organização das Bienais –, os Arquivos assumem posição fundamental na nova instituição, tornando-se responsáveis por guardar o patrimônio gerado ao término de cada Bienal. Em homenagem a sua idealizadora, em 1963 passaram a se chamar Arquivos Históricos Wanda Svevo.

Com o decorrer dos anos, e em virtude do papel desempenhado pela Bienal, o Arquivo Bienal – como hoje é chamado – é reconhecido como um dos mais importantes acervos documentais latino-americanos sobre as artes moderna e contemporânea. Em 1993, foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) como bem cultural de interesse histórico, devido ao valor inestimável de sua coleção. Seu acervo é composto pela documentação gerada durante a produção das exposições, além de catálogos de arte, livros, revistas, cartazes, clippings, dossiês de artistas, vídeos e fotografias, material de referência sobre a arte nacional e internacional, concentrando-se no período de 1948 aos dias atuais.

O Arquivo Bienal consolida-se, portanto, a partir da convicção de que a memória de cada Bienal é também memória da arte contemporânea, brasileira e internacional, permitindo que através da documentação reunida se tracem não só a história da instituição e do desenvolvimento da arte do século 20, mas também sua função social na difusão, educação e pesquisa da arte.

O trabalho de curadoria para a mostra 30 × Bienal, cujo objeto de reflexão são as transformações na arte brasileira desde o surgimento da Bienal, se iniciou no Arquivo Bienal. Um amplo levantamento das participações de artistas brasileiros nas trinta Bienais, acompanhado da pesquisa iconográfica e bibliográfica no acervo, serviu de base para a seleção de artistas e obras que integram a exposição.

A pesquisa realizada pelo Educativo Bienal para a realização do seminário arte em tempo – dedicado ao resgate histórico dos projetos educativos que acompanharam as Bienais – revelou ainda o potencial do Arquivo como fonte de informação e geração de conhecimento sobre o papel da Bienal na formação de um público capaz de compreender e produzir arte.

Se a Bienal, uma das maiores e mais antigas exposições internacionais de arte, foi palco das transformações na arte brasileira nos últimos sessenta anos, o Arquivo é o espaço em que essa história permanece viva.