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28ª Bienal de São Paulo (2008)

Momento de repensar rumos e funções, a 28ª Bienal entraria para a história como a “Bienal do Vazio”. Concebida por Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen, a mostra deixou um andar inteiro sem obras, numa metáfora clara da crise conceitual atravessada pelos sistemas expositivos tradicionais. Com apenas 54 obras de 41 artistas e 4 projetos especiais, a edição escolheu a performance como um de seus canais principais, tendo Maurício Ianês e Marina Abramovi? como ilustres representantes. Ianês apresentou o trabalho A bondade de estranhos, em que “morou” no prédio da Bienal durante treze dias, e comeu e se vestiu apenas com o que lhe foi doado por visitantes. Iran do Espírito Santo e Rubens Mano foram outros nomes convidados, numa edição em que os limites de apropriação do espaço por artistas e pichadores estiveram em permanente discussão.

“É ali, no território do suposto vazio, que a intuição e a razão encontram solo propício para fazer emergir as potências da invenção, abrindo múltiplas possibilidades para ser cruzado. Faz um corte, suspendendo o processo voraz de produção e consumo de representações, para problematizar o possível esgotamento dos diversos discursos no território da instituição. O corte aqui quer aguçar a crise da organização, do modelo, do sistema, e não recalcá-los com mais uma exposição.” – “É positiva a proposta para a 28ª Bienal de São Paulo, que prevê, entre outras coisas, um andar vazio?”, “Sim. Temos que enfrentar o horror ao vazio”, de Ivo Mesquita, publicado na Folha de S.Paulo em 01 dez. 2007.

Leia o texto na íntegra no catálogo da exposição 30 × Bienal – Transformações na arte brasileira da 1ª à 30ª edição.