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24ª Bienal de São Paulo (1998)

Conhecida como uma das melhores Bienais já feitas, a “Bienal da Antropofagia” versava sobre o tema Um e/entre Outro/s, proposto pelo curador-geral Paulo Herkenhoff e seu adjunto, Adriano Pedrosa. A questão, extraída das raízes da cultura brasileira, tomou proporções relevantes nas mãos de curadores que respondiam por regiões específicas e em potentes exposições individuais dedicadas a cada uma das 53 Representações Nacionais. Entre estas, destacou-se a do alemão Mischa Kuball, que trocou luminárias feitas por ele por lâmpadas e lustres recolhidos em 72 residências paulistanas para compor sua instalação Luz privada/luz pública (1998). A já afamada sala da obra Desvio para o vermelho (1967/1984), de Cildo Meireles, fora remontada para a ocasião, num reforço irrepreensível do “canibalismo cultural” sugerido por Herkenhoff. Avessa às noções de eurocentrismo e trazendo uma controversa seção voltada às “histórias de canibalismo”, a 24ª Bienal contrapunha Tunga e o holandês Albert Eckhout, Cildo Meireles e o pintor acadêmico Pedro Américo, de forma a alcançar quase cinquenta anos de vida em torno da tradição cultural brasileira.

“Enfrentando a questão do tema, o curador-geral ofereceu a isca ambígua da antropofagia, de grande apelo na mídia por sua vinculação à tradição do nacionalismo, ao orgulho paulistano da efeméride sempre omitida – os setenta anos do Manifesto antropófago, de Oswald de Andrade – e ao multiculturalismo contemporâneo. Tomando a experiência do modernismo no Brasil como referência, evitou a encenação atrasada de temas generalizantes, como em edições precedentes. Enunciando a antropofagia como problemática aberta a aproximações e interpretações múltiplas, configurando uma perspectiva poliédrica reveladora de dimensões e nuances variadas, possibilitou sua extrapolação além do tempo e do lugar do modernismo brasileiro.” – “Arte com filtro”, de Roberto Conduru, publicado na Revista do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais EBA-UFRJ, ano VI, nº 6, 1999.

Leia o texto na íntegra no catálogo da exposição 30 × Bienal – Transformações na arte brasileira da 1ª à 30ª edição.